468x60

  • Bem-vindos ao blog!

As mulheres de Puri - Cecília Meireles - Mulheres na Construção Civil

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

  

AS MULHERES DE PURI

Quando as estradas ficarem prontas,
mulheres de Puri,
alguém se lembrará de vossos vultos azuis
entre os templos e o mar.

Alguém se lembrará de vosso corpo agachado,
deusas negras de  castos peitos nus,
de vossas delgadas mãos a amontoarem pedras
para a construção dos caminhos.

Quando as estradas ficarem prontas,
mulheres de Puri,
alguém se lembrará que está passeando sobre a sombra
de vossos calmos vultos azuis e negros.

Alguém se lembrará de vossos pés diligentes,
com pulseiras de prata clara,
Alguém amará, por vossa causa, o chão de pedra.

E vossos netos falarão de vós,
mulheres de Puri,
como de ídolos complacentes,
benfeitores e anônimos,

e entre os ídolos ficareis, inacreditáveis,
mudas, negras e azuis.

"Mulheres de Puri" (Poemas Escritos na Índia, de Cecília Meireles)

O poema fora escrito na década de 60 durante a viagem da autora à Índia, e ainda hoje, continua transcrevendo uma triste realidade. Triste, pois tal trabalho não traz emancipação a tais mulheres, visto que por um trabalho tão pesado continuam a ganhar muito menos que os homens e ainda têm de conciliar o ofício com o cuidar dos filhos. 

Fonte da Imagem: http://www.rediff.com/money/slide-show/slide-show-1-special-the-4-big-constraints-to-indias-growth-story/20130614.htm#3

Bollywood streamming online - Veja legalmente filmes indianos online no Spuul!

sábado, 2 de novembro de 2013
Se você procura uma forma bem acessível e LEGAL para assistir a filmes indianos em HD e com legendas em inglês, seus problemas estão resolvidos. Há um projeto de distribuição de filmes indianos que é baseado em Singapura e se propõe a oferecer gratuitamente alguns títulos atuais e clássicos e por meio de assinatura os lançamentos ou filmes especiais. O site Spuul tem uma interface bastante intuitiva e um ótimo acervo de filmes, ainda te proporcionando um aplicativo para celular gratuito para Android e até mesmo iOS, onde será possível transferir o filme legalmente para o seu smartphone.



No menu você ainda poderá encontrar alguns programas de tv mais famosos, informações sobre as estrelas, além de filmes com exibição exclusiva no Spuul. No caso de dúvidas, podem entrar em contato. :) Namastê! Salaam! Até a próxima, bollyníacos!

 #appquerido #ficaadica #toindola #beijosmeliguem 

Finalmente Bollywood no Brasil!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Parece que dessa vez o pedido dos fãs vai ser realizado para a alegria deles (minha - como grande fã) e para a alegria do cinema brasileiro também. 

Uma empresa com sede em Salvador-BA surge com o propósito de trazer filmes indianos de sucesso internacional para salas de cinema aqui no Brasil, em vários estados.

O primeiro filme que deve ser exibido no cinema por este empreendimento é o drama-romance Fanaa (com Aamir Khan e Kajol). Lembro-me da primeira vez que vi um "bolly movie", que também foi com o Aamir Khan. Quando é que vamos ver o nosso queridinho Sharukh Khan? Ansiosa é pouco! 



Recentemente foi aprovada a lei de co-produção de filmes entre Brasil e Índia (informações no Ministério das Relações Internacionais - clique aqui)
Buscando uma difusão do cinema indiano e também possíveis co-produções, a empresa parece vir bem disposta ao sucesso e ganhar mais simpatizantes desse estilo cinematográfico tão marcante! Será que vamos ter grandes surpresas mais rápido do que esperamos?

Pra saber mais informações visite o site: www.bollywoodfilmes.com.br

Beijoss

Livro O Hambúrguer era de Carneiro

terça-feira, 15 de maio de 2012

Li esse livro e achei muito legal a idéia. Conta de uma maneira divertida uma viagem à Índia e suas surpresas vistas pelos olhos de duas meninas brasileiras que viajaram com a avó para uma terra que despertou-lhes o espírito aventureiro, trazendo-lhes ao encontro de uma cultura muito estranha, à princípio, porém cheia de surpresas legais e mistérios encantadores.


SINOPSE

Para chegar à Índia e por lá viajar, um novo caminho acaba de ser descoberto: o livro O hambúrguer era da carneiro – Diário de uma viagem à Índia, escrito por Daniela Chindler e ilustrado por Mariana Massarani que, após viajarem juntas para aquela terra distante, resolveram escrever uma narrativa para o público infantil que recuperasse a deliciosa aventura experimentada por ambas na pátria de Gandhi.

As protagonistas da história são as primas e grandes amigas: Júlia e Luísa. Num domingo, quando estão na casa da querida vó Rosa, as três assistem a um programa sobre a Índia. Na mesma hora, a avó tem uma idéia: convida as duas para irem com ela passar as férias em solo indiano. As meninas ficam excitadíssimas com a possibilidade, aceitando o convite imediatamente. Convencem os pais e partem na data oportuna.
E quantas coisas diferentes as meninas vivem no país do Taj Mahal! Todas as inusitadas experiências por que passam são registradas num diário, que lhes foi dado pela avó exatamente para esse fim. Cada dia uma das meninas se encarrega de assentar no papel as emoções e descobertas vivenciadas no outro lado do mundo. São passeios montadas em elefantes e camelos (com direito à corrida), vacas sagradas, encantadores de serpentes, muitas pulseiras coloridas, tatuagens de henna, palácios magníficos, templos variados, deus com cabeça de elefante, rio mágico que, apesar de imundo, purifica a alma das pessoas e, é claro, hambúrguer de carneiro
O livro trata não só de turismo, mas também do encontro com uma cultura bem distinta da nossa, possibilitando-nos exercitar o respeito às diferenças.
O hambúrguer era de carneiro - Diário de uma viagem à Índia marca a estréia da coleção Por aí afora que tem como proposta viajar pelo Brasil e pelo exterior, usando a palavra como meio de transporte. Portanto, preparem-se para seguir destinos variados, conhecer paisagens exóticas, cenários admiráveis, e gente de todo tipo para mostrar que a vida é possível em várias versões.

O livro foi editado pela editora Rocco. Não é difícil de encontrá-lo, além de termos a possibilidade da compra online. Eu o encontrei na Livraria Cultura. 

Jóias do Deserto - Exposição

sexta-feira, 20 de abril de 2012
Amantes do Oriente, da Arte, da História, pra quem tiver oportunidade de visitar a exposição Jóias do Deserto, realizada através de uma coleção de jóias adquiridas pela alagoana Thereza Collor, que sendo apaixonada pelo Oriente desde os 14 anos de idade, passou a reunir todos os objetos de adorno que comprava em suas viagens às terras do Sol, formando um maravilhoso e rico acervo de objetos que contam muitas histórias. Com certeza vale a pena visitar! A exposição é um prato cheio para os admiradores dos adornos e dos aspectos culturais do Oriente. Por trás de cada peça, uma história!


Acervo traz cerca de 2000 peças entre brincos, colares, braceletes, vestes, tornozeleiras e adornos peitorais e de cabeça do século XIX e início do XX, além de fotos de alguns dos principais desertos do mundo e de seus habitantes, reunidos e retratados por Thereza Collor em suas viagens.


A exposição conta com uma seleção em torno de dois mil adornos corporais do significativo acervo etnográfico da historiadora e colecionadora Thereza Collor. A coleção apresenta peças confeccionadas com diversos materiais — tecidos, couros, pedras e metais em prata e ouro — comuns aos locais de origem destes artefatos: o Deserto do Saara, compreendendo as regiões do Marrocos, Argélia, Mali Níger, Tunísia, Líbia e Egito (até o Sinai, chegando à Palestina); o Deserto da Arábia, Arábia Saudita, Iêmen, Sultanato de Omã e Síria; o Deserto da Ásia Central, Uzbequistão, Turcomenistão e Kazaquistão (passando pelo Irã e chegando ao Afeganistão); o Deserto da Índia, Índia (Rajastão e Gujarat) e Paquistão; e o Deserto Tibetano, Tibete (território autônomo da China) e Ladakh (região divida entre a Índia, Paquistão e China). O projeto curatorial da mostra sugere um mergulho na cultura desses povos e permite ao visitante perceber o olhar perspicaz da colecionadora, ao traçar poeticamente o caminho dessas sociedades ao longo do tempo.
Saara- Marrocos
Tibet

Os ornamentos, do século XIX e início do XX, revelam transformações estéticas e de costumes de vários grupos étnicos e proporcionam uma rica experiência multidisciplinar nas áreas de Sociologia, Antropologia e História da Arte. A miscigenação de culturas nômades — povos das regiões desérticas que migram continuamente em busca de lugares menos inóspitos — resulta em trabalhos criativos que associam diferentes técnicas artesanais, valores estéticos, funções utilitárias e ritualísticas, significados simbólicos e psicológicos. Joias do Deserto preserva e difunde registros da memória dessas nações procedentes de diferentes regiões do mundo.



NÚCLEOS E DESTAQUES:


A coleção de Thereza Collor está disposta em cinco núcleos multidisciplinares, determinados por cada uma das regiões desérticas abordadas na mostra.
No acervo estão peças que evidenciam as influências históricas, geográficas, sociais, políticas e religiosas das etnias. O nomadismo das populações locais, continuamente em busca de lugares menos inóspitos, faz com que produção apresente similaridade de estilos – como a presença constante de formas variadas de animais sagrados, como pássaros e peixes, representando a fecundidade – mas revela aspectos de originalidade de cada etnia, suas interpretações e funções distintas em seus países


Que tal aproveitar qualquer dia até 10 de Junho e curtir um pouco os fascínios do Oriente?




CENTRO CULTURAL FIESP RUTH CARDOSO
  
http://www.sesisp.org.br/
Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista
(11) 3146-7405

de 13/03 a 10/06
  • TerçasQuartasQuintasSextas e Sábados das 10:00 às 20:00
  • Domingos das 10:00 às 19:00
  • Segundas das 11:00 às 20:00

.

;) Tumblr We Bolly It

sexta-feira, 16 de março de 2012

:) E pra quem curte filmes indianos, os artistas, músicas e etc., aqui vai o link do meu mini blog tumblr em homenagem à colorida, dramática e divertida Bollywood! Sigam-me os bons! (: Tem muita coisa legal por lá: http://webollyit.tumblr.com/

Sandálias Tornozeleiras

domingo, 18 de dezembro de 2011
Acho que todos já notaram que eu adoro uma tornozeleira. E quando o assunto é sapatos e afins, combiná-los a esses acessórios orientais, mesmo que com uma nova roupagem, nem sempre é tarefa fácil. (Se você quer saber mais sobre as origens das tornozeleiras clique aqui).
Pensando nisso, fui atrás de algumas inspirações no acessório e que viraram tendências pelo mundo da moda. ;). Uma que achei super-linda foi essa prata, com um estilo bem tradicional e pra festas:

Temos também as "Ankle Cuff Sandals", que são esses modelinhos bem em evidência hoje em dia, especialmente agora no verão como esses abaixo:



Arquitetura muçulmana e Inspirações Azuis

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Turquesa é uma cor que sempre me acalma e fascina. Amo muito essa cor! Aliás, os azuis são minhas cores preferidas. Fuçando design de interiores e exteriores com inspirações orientais, fiquei ainda mais fascinada com as belezas dos ricos detalhes e o romantismo de uma das cores mais lindas que existem, batizada com o título da tão famosa pedra turca. Vejam que charme e leveza desse tom na arquitetura muçulmana:

Registan. Samarqand, Uzbekistan (VEJA MAIS AQUI)

Porta em Jerusalém

A majestosa mesquita Masjed-é Emam, no IRAN
Uma das obras-primas da arquitetura iraniana, sua entrada tem ricos detalhes que tem inspiração nas penas do pavão.


GHADAMGAH / HORIZON




Tere Bin Laden (Sem você, Bin Laden)

quarta-feira, 4 de maio de 2011
Quem já viu este filme já deve ter pensado na enorme semelhança entre o mesmo e os acontecimentos atuais. Pra quem ainda não viu, vale a pena conferir!  Por coincidência eu vi o filme novamente na tarde do último 1º de Maio, poucas horas antes do mundo receber a notícia da morte de Osama no Paquistão. 

Garanto que depois que você ver esse filme que tem menos de um ano de lançamento, vai começar a se perguntar por quê e como Bin Laden foi encontrado ali, vivendo em um centro urbano do Paquistão ... enquanto isso crescem e crescem especulações sobre o que teria realmente acontecido ao líder terrorista mais procurado do mundo.


Curiosidade: Houve ameças por parte dos terroristas para que o filme não estreasse nos cinemas no país de origem. (Paquistão)
Veja a nota do filme no IMDB



TERE BIN LADEN (SEM VOCÊ BIN LADEN)




Ano de Lançamento: 2010 (July)

Sinopse:

Uma comédia com um falso Osama Bin Laden como protagonista entrou em cartaz em julho de 2010 na Índia, apesar de a produtora do longa metragem ter sido ameaçada através de uma carta anônima. Esta produção de Bollywood, como é conhecido o cinema em Bombaim, conta a história de um criador de galinhas que simula ser o terrorista mais buscado no mundo devido à semelhança física. O filme foi proibido no Paquistão, onde a história acontece. O comitê de censura paquistanês decidiu vetar a estreia por temor de ataques terroristas. Tere Bin Laden ( Sem você, Bin Laden ), protagonizado por Alí Zafar, um famoso cantor paquistanês, trata de um jornalista que tenta vender uma entrevista exclusiva com o falso Bin Laden para poder viver nos EUA, após várias tentativas fracassadas de conseguir um visto. A história se complica quando a Casa Branca envia um agente secreto para seguir os seus passos.




O Gayatri Mantra

sexta-feira, 25 de março de 2011
Gayatri Mantra: o mais poderoso mantra dos Vedas (textos sagrados do hinduísmo)

O Gayatri Mantra é basicamente conhecido como um mantra dedicado ao Sol. Um mantra para ser entoado assim que o sol aparece. Os hindus dizem que para que o mantra tenha seu efeito é necessário cumprir a dieta do vegetarianismo. Assim como os outros mantras, o Gayatri tem que seguir o tom certo, ter a pronúncia perfeita. É considerado pelo Gita o mantra universal, que pode ser entoado por qualquer pessoa para a sua proteção, independente de casta, credo ou sexo. O Deva ( divindade regente da natureza) invocado nesse mantra é o Savita, assim o mantra também é conhecido como Sāvitrī.


Explicação palavra-por-palavra (palavras não estão na ordem exata):-
  • om O som sagrado, ver Om.
  • bhū 'terra'
  • bhuvas 'atmosfera'
  • svar 'luz, céu, espaço'
  • dhīmahi 'Que nós possamos atingir' (1a pessoa plural médio optativo de dhā- 'Pôr, trazer, fixar' etc.)
  • tat vareṇyam bhargas 'aquela excelente glória' (acusativos de tad (pronome), varenya- 'desejável, excelente' e bhargas- 'radiância, lustre, esplendor, glória')
  • savitur devasya 'de Savitr o Deus' (genitivos de savitr-, 'estimulante; nome de uma deidade solar' e deva- 'deus' ou 'demi-deus')
  • yaḥ pracodayāt 'que possa estimular' (nominativo singular do pronome relativo yad-; causativo 3a pessoa de pra-cud- 'colocar em movimento, apressar, persuadir, impelir, impulsionar')
  • dhiyaḥ naḥ 'nossas orações' (plural acusativo de dhi- 'pensamento, meditação, devoção, oração' e naḥ enclítico pronome pessoal)
Outras traduções, circunluções e interpretações:
  • Kavikratu Tattva Budh 
"O Sol Supremo e Todo-Poderoso nos impulsiona com o seu divino brilho para que então nós possamos atingir uma nobre compreensão da realidade."
  • Gayatri Pariwar
"Ó Deus, Tu és o doador da vida, o removedor da dor e da tristeza, que garante a felicidade; Ó Criador do Universo, possamos nós receber a Tua suprema luz, destruidora dos pecados; possa Tu guiar o nosso intelecto no caminho certo."
  • William Q. Judge 
"Desvele, Ó Tu que deste mantimento ao Universo, de quem tudo procede, a quem tudo deve retornar, aquela face do Verdadeiro Sol agora oculto por um vaso de luz dourada, que nós possamos ver a verdade e fazer o nosso dever inteiro na nossa jornada ao teu assento sagrado."
"Ó matéria-energia-mente (universo triplo); Nesta digna fonte de luz espiritual divina, medita: assim, ilumina o nosso intelecto."
  • Times Music
"Ó, Criador do universo! Meditamos sobre Teu supremo esplendor. Possa Teu radiante poder iluminar o nosso intelecto, destruir os nossos pecados, e nos guiar no caminho certo."

Deusa

Originalmente a personificação do mantra, a deusa Gayatri é considerada veda mata, a mãe de todos os Vedas e a cônjugue do deus Brahma, e também a personificação do onipenetrante Parabrahman, a realidade imutável que está por trás de todos os fenômenos.

Gayatri é geralmente retratada sentada num lótus vermelho, significando riqueza. Ela aparece em qualquer uma dessas formas: 

-Como tendo cinco cabeças, com dez olhos olhando nas oito direções e o céu e a terra, e dez braços segurando todas as armas de Vishnu, simbolizando todas as suas reencarnações.

-Acompanhada por um cisne, segurando um livro em uma mão, e uma cura na outra, como a deusa da Educação.  

We pray for Japan ♥

segunda-feira, 14 de março de 2011
Students hold candles as they pray for Japan's earthquake victims inside their school in the western Indian city of Ahmedabad March 11, 2011.


Culinária Indiana

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fora o chai indiano, já provei algumas coisas dessa cozinha cheia de mistérios, cores e especiarias. Tentei fazer uns bolinhos, que agora não lembro o nome, mas até bem fáceis de fazer. Qualquer dia tentarei postar alguma receita aqui. Como não sou nada especialista no assunto - apenas curiosa - fui em busca de alguns textos que nos dão uma idéia das características marcantes dessa culinária. :)

A culinária indiana está baseada nos mesmos conceitos milenares de equilíbrio e harmonia que formam a base da filosofia do Yoga. Seguindo essa filosofia, cada ato na vida, inclusive o ato de comer, deve ser um processo consciente que leve à integração do ser como um todo. Para isso os indianos desenvolveram uma culinária sensorial em relação a sabores e cores, que tanto sustenta o corpo físico como pode se transformar numa meditação culinária.
Essa meditação gastronômica inclui seis sabores relacionados aos seguintes paladares: doce, salgado, amargo, picante, azedo e adstringente. Estes, combinados com cores, aromas, sons e texturas despertam os sentidos da visão, olfato, paladar, audição e tato. A palavra rasa em sânscrito significa sentimentos, mas também quer dizer sabores, logo, os sabores e sentidos equilibrados geram sentimentos equilibrados. Para cada sabor existe uma mistura diferente de ervas, sementes e flores associados aos seis paladares.

A culinária indiana também é considerada medicina e a comida faz parte do processo de cura.

Fonte: www.yogaintegralbrasil.com

O incompáravel aroma da Índia, não consiste só na fragrância do jasmim, das rosas frescas ou do sândalo. É também, o aroma das especiarias, que são tão importantes na culinária local, sobretudo na preparação do famoso "curry".
O cozinheiro indiano possui mais de vinte e cinco tipos de especiarias em pó para preparar seus prato, que servem também como propriedades medicinais. Você poderá saborear vários pratos com verduras, dos quais existem várias receitas para poder prepará-los. Os pratos de carne são igualmente excelentes. O Rogan Josh ( cordeiro ao curry ), o Gushtaba ( almôndegas com especiarias ao molho de iorgute ) e o deliciosos Biryani ( Frango e cordeiro com arroz, com sabor de laranja, temperado com açúcar e água de rosas ).
A culinária indiana é rica, cremosa e possui uma deliciosa mistura de especiarias. O sempre popular Tanduri ( frango, carne ou peixe temperados com ervas aromáticas e assados em forno de barro ) e os Kababs são especialidades do norte. No sul, você não pode deixar de experimentar o "chutney" de coco, nem o "sambar" com "idli"ou o "masala dosa" ( feitos com arroz fermentado e lentilhas ). Há também pratos extraordinários como o "vadasambar", o "bajji", o "raitas" ( iorgute com pepinos e menta ). O coco é um ingrediente importante da cozinha do sul da Índia. Na costa oeste, há uma grande variedade de peixes e mariscos : o pato de Mumbai ( peixe conhecido como Bombloe, frito ou com curry ) e o "pomfret" ( salmão indiano ) são algumas entre as muitas especialidades.
Outras são o Dhan Sak ( cordeiro ou frango feito com lentilhas, ao curry ), o Parsi e o Vindalu na salmoura. O peixe também é importante na cozinha de Bengala, um exemplo é o Dahi Mach ( peixe ao curry com iorgute, comsabor de curcuma e gengibre ) e o Mailai ( lagostins ao curry, com coco ). No sul da Índia, a base da alimentação é o arroz, e no norte, são as tortas, como os Puris, os Chapatis e o Nan. Também é muito comum, o iorgute acompanhado de curry ou de uma variedade de "Lassi", açucarado ou com "masala".
Os principais doces são pudins feitos com leites, torytas e crepes. Em toda a Índia, pode-se saborear o Kulfi ( um sorvete típico indiano ), Rasgullas ( bolas de creme de queijo com sabor de água de rosas ), Gulan Jamuns ( farinha e leite com xarope doce ) e Jalebi ( lentilhas fritas, banhadas em caramelo ). Além disso, há uma grande quantidade de frutas tropicais e da zona temperada Também existem sobremesas ocidentais. É costume indiano comer com as mãos ; mas, lembre-se que é somente com a mão direita.

Há também uma grande variedade de petiscos irresistíveis em cada esquina, como os Samosas, frituras, Dosa e Vada. Os turistas mais conservadores podem conseguir comida ocidental, em qualquer restaurante. O chá é a bebida favorita dos indianos, e suas variedades são famosas em todo o mundo. Geralmente, são preparados com açúcar e leite. O café é muito popular no sul. Existem bebidas refrescantes como o Nimbu Pani ( refresco de limão ), o Lassi ( creme de leite mesclado ) e a água de coco, bebida diretamente na fruta. Em todas as partes, você encontrará refrigerantes, agua mineral e bebidas alcoólicas ocidentais. A cerveja e a genebra indianas podem ser comparadas às melhores do mundo, e nào são caras Porém, você deve ter uma autorização para consumir álcool, em Tamil Nadu e em Gujarat.
A culinária indiana é imensa. Você encontrará comidas picantes ou não, conforme o seu gosto, e elas não são caras, mesmo nos hotéis de luxo. Não é de se surpreender que a culinária indiana é a terceira mais popular do mundo, e não será uma surpresa se ela vir a ser primeira.

Fonte: www.indiaconsulate.org.br

MAPA GASTRONÔMICO DA ÍNDIA
(Clique para ampliar a imagem)

Hindustani Ka Dil

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Um amigo me mostrou esse vídeo turístico de Madhya Pradesh, estado que fica no centro da Índia. Achei o máximo! Quanta criatividade e graça ! :) Realmente incitam ainda mais o desejo e a curiosidade de conhecer o lugar.

Hindustani Ka Dil = Coração da Índia

Dizem que lá se encontra o verdadeiro sentido da Constituição Indiana, pois mesmo sendo uma região tão antiga, não se enverga ao regionalismo. Lá se encontram todas as culturas e religiões da Índia. Não há divisões entre marathi, telugu, punjabi, gujrati, telugu, tamil...mas os habitantes de Madhya Pradesh são indianos, apenas Indianos.

"Comer, Rezar, Amar" - O FILME :)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010
(Aqui no Brasil, a estréia nos cinemas será dia 1º de Outubro de 2010)


Não é preciso seguir os ideiais da Sociedade para se sentir satisfeita e feliz consigo mesma. 

O tão falado livro EAT, PRAY, LOVE que agora foi lançado como filme, com Julia Roberts no papel da escritora Elizabeth Gilbert, que aos 30 anos enfrentou uma crise da meia-idade precoce. O filme se baseia no livro que conta a história real da autora que em depressão após um divórcio - pois não se sentia feliz - muito abalada e cheia de dúvidas sobre o sentido da sua vida, sai de férias por 1 ano em busca de uma recuperação pessoal. Os lugares escolhidos por ela são: Itália (comer), Índia (rezar) e Bali (amar). Depois de toda essa experiência, Elizabeth passa a se entender melhor e ser feliz com ela mesma. Ela também conhece um novo amor, Felipe (Javier Bardem), um brasileiro a quem conhece em meio essa viagem.

 





 EAT

  PRAY
 
  LOVE 

Os temas abordados na história são vistos bastante atrativos, já que hoje se mostra um tanto quanto corriqueiro o fato das pessoas se perguntarem cada vez mais cedo o real sentido da sua própria vida e que direção tomar. É cada vez mais precoce essa crise do Eu interior, num mundo onde tudo acontece tão rápido e que cobra cada vez mais de nós. É muita informação e ao mesmo tempo nenhuma que se torne base.

A autora teve a crise da meia-idade precoce aos 30 anos - e eu estou sentindo indícios dela aos 26. hehe 

Curiosidade:
Após a experiência com a gravação do filme, Julia Roberts declarou-se seguidora do Hinduísmo.

Veja o Trailer: 


A Índia e a Astronomia

sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Calendário Hindu, por volta de 1.850
Os antigos hindus diziam que o universo era uma noite de sonho cósmico de Brahma.
Este sonho de 4.320 anos terrestres, era guardado por Shiva, o Senhor da Dança Cósmica.
Quando Brahma acordar, o Universo terminará.
A sociedade civilizada surge na Índia, assim como na Mesopotâmia (Iraque) e Egito; seria a Idade do Bronze. Isso seria por volta de mais de 3.000 aC.
Esta cultura anciã, extinta em 2.000 aC, usava o sistema de números decimais e sua escrita era pictográfica.
Passou a ser influenciada fortemente pelo povo Ariano, seus invasores que falavam o Sánscrito e assim as tradições eram transmitidas oralmente pelo  seus sacerdotes brahmanes.
Pouco antes da Era Cristã, adotou-se uma escrita alfabética e começou todo um trabalho de recompilação do conhecimento Hindu Antigo. Esses Compêndios Antigos, Os Vedas, contém as primeiras referências astronômicas no que diz respeito ao Sol , a Lua e as estrelas. Estranhamente não existem qualquer referências aos planetas. 

Os astrônomos Hindus conheciam as obras de Hiparco, mas não as de Ptolomeu. Neste sentido podemos afirmar que em algum momento entre e 150 aC e 140 dC ocorreu uma importante transição, mas após 664 dC praticamente tudo foi perdido com a invasão muçulmana.

Grandes Astrônomos Hindus, Varahamihira (505 dC) e Brahmagupta (628 dC) trabalharam no observatório astronômico de Ujjain.
Varahamihira construiu um compêndio da astronomía hindu: Os Siddantas. Nele é dito que o conhecimento astronômico Hindu viria do Ocidente (Yavanas).

Curiosidade sobre o Calendário Hindu:
De acordo com suas crenças, o povo Hindu tem o tempo dividido em yugas, cujo período diminui à medida que o tempo passa, numa metáfora do declínio da humanidade.
Atualmente, a Era Hindu está no último yuga - o mais degenerado - iniciado em 3102 a.C. e que terminará daqui a 432 mil anos.
O calendário hindu, criado em 1000 a.C e hoje usado apenas para calcular datas religiosas, é dividido em 12 meses, mas cuja soma fica em 354 dias. Para resolver a diferença, acrescenta-se um mês a cada 30 meses.

O universo para os hindus era dividido em três regiões (a Terra, o firmamento estrelado e o céu). O calendário hindu era baseado o movimento dos astros principais, o Sol e a Lua. Contava-se o mês marcando  ciclo da Lua Nova ou Lua Cheia. Há pouco da astronomia hindu com relação aos planetas do sistema solar, porém um fato importante era a crença na existência de dois planetas, além dos cinco visíveis, (Katre e Rahu), planetas responsáveis pelos eclipses solares.
        
O interesse hindu pelas estrelas foi muito vago, não passando de poucas observações às estrelas pertencentes a eclíptica. Apesar do pouco interesse os hindus reconheciam alguns grupos e chegaram dar nomes as mais brilhantes, por exemplo: as Plêides, Castor e Pólux, Vega e Espiga. 

A antiga astronomia hindu não foi baseada em apenas confecções de calendários. Sob a influência persa por volta do século V a.C. e grega em meados do século II, os hindus constituiram a base, principalmente matemática, para os trabalhos de Ariabata I, que mediu distâncias e tamanhos tanto do Sol como da Lua com boa precisão.

Os instrumentos usados na astronomia hindu eram os mesmos de toda antiguidade: o gnômom, os círculos e meios círculos, a esfera amilar, o relógio de água e o astrolábio.
 
Samrat Yantra - em Jaipur, o maior relógio de Sol  do Mundo
Base do Samrat Yantra
No princípio do século XVIII o marajá Jai Shing II, interessado por Matemática e Astronomia, conhecedor dos instrumentos de observação e medida usados desde a Grécia Antiga e dos saberes perpetuados pela tradição islâmica, entendeu que a melhor maneira de fazer medições precisas era utilizar instrumentos de grande dimensão. Mandou então construir na Índia cinco grandes observatórios astronómicos em locais diferentes: Jaipur, Mathura, Urjain, Varanasi e Delhi, actual capital. Quatro ainda subsistem nos dias de hoje; apenas o de Mathura foi destruído.
  
Qualquer um destes observatórios era composto por vários instrumentos de grande escala construídos em pedra e argamassa, ou seja, verdadeiros conjuntos arquitectónicos dispostos de acordo com as posições e movimentos dos astros numa espécie de urbanismo cósmico. O maior destes conjuntos foi edificado em Jaipur e possuía quinze instrumentos, entre os quais um colossal relógio de sol - o Samrat Yantra. Este edifício compunha-se de uma rampa de alvenaria de pedra em forma de triângulo rectângulo com cerca de 25 metros de altura e de um arco virado para cima que atingia os 13 metros.

O triângulo, alinhado com o meridiano do local, funciona como gnómon e projecta a sua sombra sobre a superfície curva do arco. Esta superfície, de 3 metros de espessura, é um enorme mostrador feito em mármore polido onde foram feitas milhares de incisões correspondentes a unidades temporais. A precisão deste instrumento é tal que podemos conhecer a hora exacta através da posição do Sol com um desvio máximo de 2 segundos!
 
Em New Delhi, é posssível conhecer o observatório de astronomia Jantar Mantar
Durante o período védico, que durou aproximadamente do século XV a.C. até o século XI d.C., fez-se alguma observação do céu, e o universo foi dividido em três regiões distintas (a Terra, o firmamento estrelado e o céu), cada qual submetida, por sua vez, a três subdivisões. A trajetória do Sol foi descrita, provavelmente, como fizeram os chineses, observando-se as estrelas que estavam ao sul à meia-noite e, portanto, em oposição ao Sol, ao passo que também se observava a Lua e se elaboravam calendários com base nos movimentos desses dois astros.
 
Parece ter havido duas formas de calcular o mês: uma contando de lua nova a lua nova, a outra, de lua cheia a lua cheia. Então, por volta de 1000 a.C., passou-se a usar um ano de 360 dias, dividido em 12 meses de 27 ou 28 dias: isso levando-se em consideração que devem ter observado essa trajetória da Lua contra o fundo formado pelas estrelas (27, 32 dias). Na verdade, 12 x 27 dá um total que é 36 dias menor que o ano de 360 dias, mas se o cálculo é feito entre duas luas cheias (ou novas), seria mais apropriado um mês de 30 dias, correspondendo ao período de 360 dias. Os hinos védicos dão os dois valores (27 e 28), mas parece que o período foi sendo alterado com o passar dos anos, pois em 100 a.C. um texto védico "a respeito das luminárias" refere-se também ao mês "teórico" de 30 dias. Mesmo assim, isso daria um calendário 5,25 dias mais curto que o ano solar, e os hindus vedas tinham dois métodos para lidar com ele: ou adicionar um mês extra a intervalos regulares ou somar cinco ou seis dias a um ou mais meses. Tentaram ambos, e por fim adotaram a primeira alternativa.
 
Ao que tudo indica, os planetas não exerciam muita atração sobre os hindus, mas há algo intrigante a respeito deles. Cinco plane- tas brilhantes são visíveis a olho nu, mas os hindus imaginavam que havia ainda dois outros "corpos", Rahu e Ketu, que introduziram como responsáveis pelos eclipses solares. Uma vez que tais eclipses só ocorrem quando o Sol está em um ponto em que sua órbita aparente (a eclíptica) cruza a órbita da Lua, considerava-se que Rahu e Ketu se localizavam, presumivelmente, nesses pontos, embora o significado preciso dos termos seja difícil de determinar, de vez que a palavra "Ketu" também é utilizada para se referir a fenômenos incomuns como cometas e meteoros.
 
As estrelas igualmente não encantavam os astrônomos da Índia antiga, eles não preparavam catálogos de estrelas, como fizeram gregos e chineses, e parecem ter encarado as estrelas apenas como um guia para os movimentos do Sol e da Lua, dos quais precisavam, naturalmente, para a confecção do calendário. Assim, as estrelas que despertavam seu interesse eram as que se localizavam ao longo da eclíptica, e estas eles dividiram em 28 naksatras, cada qual com o comprimento de cerca de 13 graus. Entretanto, apesar dessa concepção utilitária, reconheciam alguns grupos de estrelas e batizaram algumas das estrelas mais brilhantes - por exemplo, as Plêiades, Castor e Pólux, Antares, Vega e Espiga.
 
Os pontos de vista mencionados até agora foram modificados pelos jainistas. Eram os seguidores do jainismo, religião fundada no século VI a.C. por Vardamana Maavira, como protesto contra o antigo ritual ortodoxo védico. Tinha por finalidade o aperfeiçoamento da natureza humana, principalmente por meio de uma vida monástica e ascética, rejeitava a idéia de um deus criador e pregava que não se deveria ferir qualquer criatura viva. Religião dualista, via a realidade constituída de duas entidades e, na astronomia, seus seguidores pensavam em dois sóis, duas luas e dois conjuntos de naksatras; segundo essa crença, nosso planeta era visto como uma série de anéis concêntricos constituídos de terra, separados por anéis concêntricos de oceanos. O círculo mais interior, ou Jambudvipa, era dividido em quatro quartos, tendo ao centro a sagrada montanha Mero; a Índia era o quarto mais ao sul, e considerava-se que o Sol, a Lua e as estrelas seguiam trajetos circulares em torno da montanha Mero, como ponto pivô, e moviam-se paralelamente à Terra. Teoricamente, o Sol devia prover a luz do dia a cada quarto, sucessivamente, mas, uma vez que o dia durava 12 horas, ele só podia cobrir dois dos quartos a cada 24 horas. Por essa razão, eram necessários dois sóis, duas luas e dois conjuntos de estrelas.

Para que não se imagine que toda a astronomia indiana antiga tenha sido, de certo modo, vaga e imprecisa, e que o cálculo do calendário era tudo o que interessava aos seus astrônomos, deve-se enfatizar que eles manifestaram interesse em aplicar medidas e métodos numéricos ao céu. No fim do século V a.C., quando a dinastia persa dos Aquemênidas controlava o noroeste da Índia, a astronomia e a literatura mesopotâmicas fluíram para o país. No século II d.C., houve um influxo da astrologia grega e, mais tarde, chegaram outros materiais astronômicos gregos (alexandrinos) , isso fornecendo tabelas de posições planetárias para serem desenhadas e uma teoria planetária grega para ser trabalhada, enquanto se faziam tentativas de medir os tamanhos e as distâncias tanto do Sol quanto da Lua. Essa concepção mais matemática desenvolveu-se fortemente do século VI em diante, e sua personagem mais importante parece ter sido Ariabata I, que nasceu em 476 e trabalhou na região de Parma. (É conhecido como Ariabata I para que possamos distingui-lo de outro astrônomo, Ariabata II, que viveu no fim do século X e princípio do século XI.) As tentativas de Ariabata I de fazer suas medidas parecem ter sido baseadas nos métodos de Hiparco e eram, presumivelmente, derivadas do Almagesto. Os valores que ele obteve não eram muito diferentes, sendo um pouco grandes para a Lua, mas muito menores para o Sol - na verdade bastante pequenos, na ordem de quase 28 vezes -, e até algumas medidas feitas mais tarde por Bascara II, que nasceu cerca de seiscentos anos depois de Ariabata, ainda apresentavam erros; de fato, não eram tão exatos quanto os de Ariabata em relação à Lua, embora seus erros com respeito ao Sol tenham sido apenas dezenove vezes menores. 

Novamente, o esquema de Ptolomeu para o movimento planetário foi adotado durante os primeiros séculos depois que o Almagesto foi escrito, embora Ariabata I tenha lançado a idéia de uma Terra em rotação.
Os instrumentos de observação usados pelos astrônomos hindus eram aqueles utilizados em toda a Antiguidade: o gnômon, os círculos e meios círculos para se achar as distâncias dos corpos celestes acima do horizonte e ao longo da eclíptica, a esfera armilar e os relógios de água - embora eles tenham adotado o astrolábio e os instrumentos gigantes, construídos em alvenaria, que herdaram, mais tarde, dos astrônomos muçulmanos. Nas técnicas de observação, por- tanto, não apresentaram grandes inovações; na verdade, os belos e famosos observatórios equipados com instrumentos de alvenaria construídos em Deli e Jaipur, sob a orientação de Jai Singh, no século XVIII, eram, até certo ponto, anacrônicos. Eles seguiram uma tradição com mais de três séculos de existência e não acompanharam as medições celestes européias que usavam telescópios, as quais ofereciam maior precisão do que as obtidas com instrumentos de alvenaria, por maiores que fossem.
Outro aspecto da astronomia hindu que merece pelo menos breve menção foi sua preocupação com os ciclos de longa duração. Um deles era o mahayuga, um período de 4 320 000 anos; é quatro vezes 1 080000, o menor número de anos que contém um número inteiro de dias civis, supondo-se que o ano tenha a duração de 365,25874 dias. (Isso se aproxima do número moderno de 365,25964 dias para o ano medido do ponto da órbita terrestre mais próximo do Sol e retomando ao mesmo ponto). Mais tarde, Ariabata I usou o valor de 1 728000 para o que é conhecido como a Idade de Ouro, 1296000 anos para a Idade de Prata, enquanto a metade e um quarto da Idade de Ouro dava como resultado outros ciclos. Considerava-se que o último desses períodos, 432000 anos - a Idade de Ferro -, teria começado a 17 ou 18 de fevereiro de 3102 a.C., quando os planetas estavam todos em conjunção (juntos no céu); esse período era visto como um ciclo ao fim do qual os planetas estariam novamente em conjunção.
Os budistas também usavam ciclos longos de tempo, indicando períodos para a destruição e o renascimento cíclicos do universo. Concebiam também uma pluralidade de universos, cada qual construído no padrão do babilônico: a Terra circundada por um oceano além do qual havia uma cadeia de montanhas que suportavam o céu. Mas, quer os ciclos fossem budistas ou hindus, envolviam números muito grandes, e sua escrita e manuseio eram um dos requisitos que o astrônomo indiano exigia da matemática. 

[in Ronan, C. História Ilustrada da Ciência de Cambridge. Rio de janeiro: Zahar, 1986.]

Popular Posts

Related Posts with Thumbnails